ࡱ> ;=:9 1bjbj">-l```````tXXXX dt{}}}}}}$ z` `` ``{ { f G``o 0rutX _o 0gLd "Lo tt````QUESTES CONCEITUAIS ACERCA DO TERMO RESURGNCIA POR MEG GOMES MARTINS Braslia, 2002 RESURGNCIA Caracterizao do uso do conceito: Resurgncia o termo em portugus para se referir a Resurgence na lngua inglesa. Robert Epstein (1985) aponta a resurgncia como sendo um fenmeno notrio na literatura experimental e clnica, mas pouco investigado empiricamente. Epstein aponta que, na maioria dos estudos, a resurgncia incidental s observaes. Muitos estudos discutem, por exemplo, o fenmeno da extino sem mencionar este princpio. Sanders (1937) observou que os ratos do seu estudo tendiam a se comportar na extino de acordo com o modo mais reforado no primeiro treino e no pelo mais recente. Neste sentido, ocorre resurgncia quando um comportamento previamente reforado no obtm mais reforos ocorrendo assim a recorrncia de outros comportamentos prvios. A palavra recorrncia significa no dicionrio da lngua portuguesa: 1. Correr de novo por, tornar a percorrer; 2. Repassar na memria, evocar; 3. Fazer uso de, lanar mo de, empregar. Epstein estudou a resurgncia induzida pela extino e props um modelo no qual, em uma dada situao, quando um comportamento 2 recentemente reforado no mais consequenciado, um comportamento 1 previamente reforado sob circunstncias similares tende a recorrer. A interrupo da liberao de reforo, ou seja, a extino para o comportamento 2 condio necessria para a resurgncia do comportamento 1. Resurgncia: conceito relacional, relativo e de ordem superior Resurgncia um conceito relacional no sentido da condio se...ento... que descreve relaes entre eventos, resume um acontecimento. relacional posto que o termo no pode ser entendido sem um contexto que englobe um ontem e um hoje, um antes e um depois. O comportamento de hoje (o resurgido) no pode ser entendido sem se relacionar com o acontecimento de ontem (o comportamento previamente reforado). Resurgncia um conceito relativo uma vez que serve para exprimir uma relao interdependente, ou seja, o comportamento de ontem e o de hoje dependem reciprocamente. Neste sentido, o comportamento de ontem que foi reforado, e aps exposto a extino ou punio, tomado como referncia comparativa para se estudar o comportamento que ressurge hoje, entretanto este comportamento que hoje ressurge, pode ser exposto a contingncias de reforamento e extino, servindo assim para se observar o comportamento que ressurgir amanh. Resurgncia tambm um conceito de ordem superior no sentido que ao se referir resurgncia se remete a uma interao ocorrida no passado, ou seja., um fenmeno observado hoje (a resurgncia) nos remete a outro fenmeno que necessariamente deve ter ocorrido no passado para determinar que este comportamento de hoje ressurja. Onde est o comportamento que ressurge? Neste sentido, o leitor pode se indagar: Se uma pessoa aprende algo, entre em fase de extino, punio ou de mudana na exigncia de respostas (aumento ou diminuio na frequncia ou topografia da resposta), e no futuro, este comportamento outrora reforado porm extinto ressurge, aonde este comportamento estava guardado? Ele ressurge de onde?. Neste caso necessrio argumentar que na anlise experimental do comportamento no nos referimos a lugares onde possam estar guardados os comportamentos. Comportamento no algo, uma interao entre eventos antecedentes e consequentes. No se entende comportamento de uma forma isolada, e por isso, o conceito de resurgncia relacional, de ordem superior e relativo. Mesmo o lembrar uma classe de ordem superior, e muitos dos seus aspectos so presumivelmente modelados por contingncias naturais. O lembrar um comportamento e o lembrar pode ser aprendido. O que fazemos ao lembrar depender, ao menos parcialmente, de consequncias passadas do nosso lembrar (Catania, 1999). Em suma, Woodworth (1921) apontou em seu livro Psychology a questo de se preferir o termo lembrar ao invs de memria: Em vez de memria, deveramos dizer lembrar; em vez de pensamento, deveramos dizer pensar; em vez de sensao, deveramos dizer ver; ouvir, etc. Mas, como em outros ramos eruditos, a psicologia tem propenso para transformar seus verbos em substantivos. Ento, o que acontece? Esquecemos que nossos substantivos so meramente substitutos dos verbos, e samos em busca das coisas denotadas pelos substantivos; mas no existem tais coisas, existem apenas as atividades com as quais comeamos ver, lembrar, etc. uma regra segura, ento, ao encontrarmos qualquer substantivo psicolgico ameaador despoj-lo de sua mscara lingustica e ver que forma de ao est subjacente a ele. O fenmeno da resurgncia e diferentes formas de observ-lo e defin-lo: Na literatura da anlise experimental do comportamento, pode-se perceber a utilizao do conceito descritivo de resurgncia em diferentes procedimentos de extino, punio ou de quebra da resposta (increased response requirementes). Assim sendo, necessrio uma observao minuciosa entre os fenmenos observados nestes procedimentos com o conceito aqui estudado. Existem observaes de resurgncia em estudos tais como: na reocorrncia aps um atraso; na recuperao aps uma pausa ou recuperao espontnea; na variabilidade da resposta; induzida pela extino; na extino prorrogada; na equivalncia de estmulos; comparada ao termo psicanaltico de regresso; equao da lei de igualao, entre outros. Destes exemplos, aqui se encontram ilustrados trs reas de estudo: Recuperao espontnea: Kimble (1961) entre outros experimentadores observaram que quando a taxa de um comportamento reduzida por extino, aps um perodo de repouso este comportamento pode ter sua taxa novamente aumentada o que se chamou de recuperao espontnea. Nos estudos sobre a resurgncia, o perodo de tempo no qual ocorre o comportamento 2 visto como um perodo de descanso do comportamento 1. condio necessria para a nomeao de recuperao espontnea que o comportamento 1 seja extinto antes do 2. Isto aponta para a necessidade de consideraes empricas para a clarificao dos usos do termo resurgncia. Por exemplo, se a extino do comportamento 1 condio necessria para a resurgncia, e o grau desta resurgncia quantitativamente a mesma que ocorre na recuperao espontnea (sem treino e extino do comportamento 2), ento o efeito de resurgncia deve ser includo no fenmeno correntemente denominado recuperao espontnea o que nos remete ao princpio polar o qual dita que se um conceito no se diferencia de outros perde assim o seu valor. Variabilidade X Resurgncia: Para que o termo resurgncia seja til ele deve descrever um fenmeno que ainda no circundado por outros termos ou descries. A definio dada por Epstein (1985) limita resurgncia ao procedimento de extino. Vrios outros estudos, entretanto, sugerem que o comportamento se torna mais varivel quando a liberao do reforo cessa como nos estudos sobre variabilidade comportamental. Staddon e Simmelhag (1971) argumentam que o aumento da variabilidade durante a extino da resposta mais frequentemente reforada acompanhada, em geral, pelo reaparecimento de respostas reforadas no passado. Neste sentido, pode-se entender a resurgncia como um subconjunto da variabilidade. As mudanas na probabilidade de respostas, nomeada resurgncia podem ser instncias da variabilidade comportamental induzida pela extino. Regresso X Resurgncia Pode-se tentar fazer uma comparao acerca do conceito de resurgncia com o conceito freudiano de regresso. Para a psicanlise, a regresso um mecanismo psicodinmico subordinado s mudanas do comportamento, procedente de pontos de fixao que so estabelecidos durante a infncia, consequentemente, comportamentos emergentes so chamados de infantis e primitivos e a regresso entendida como resposta s punies recebidas mais que ao no reforamento de comportamentos. A regresso um conceito explicativo. Masserman (1943) distinguiu a regresso como sendo uma retrogresso de adaptao, um retorno a comportamentos previamente bem sucedidos como uma resposta a condies conflitantes ou extremamente frustrantes. Os termos retrogresso, regresso do ato instrumental e regresso de hbitos se referem ao mesmo fenmeno. A resurgncia, por outro lado, um conceito descritivo que no implica ser um mecanismo, no restritivo e ocorre como uma resposta a extino (Epstein, 1985). Para uma aprimorada anlise conceitual, h que se considerar que tanto a regresso como a resurgncia so conceitos que explicam um fenmeno. Ambos os termos so explicaes e descries, porm em nveis de anlises diferentes. Explicaes geralmente envolvem descries aceitas em nveis diferentes de indagaes. Neste sentido, aceitvel que a resurgncia seja um modelo sob o ponto de vista da teoria behaviorista para se entender a regresso usada sob o ponto de vista da teoria psicanaltica. Conceitos psicanalticos no deveriam ser vistos como to abominveis uma vez que tambm podem ser teis como explicaes. Entretanto, o conflito terico se encontra na questo da causalidade, uma vez que a psicanlise atribui status de causa a regresso utilizando assim conceitos mentalistas para se entender a relao entre eventos e comportamentos, e neste caso, comportamentos resurgidos. Aplicaes do termo resurgncia Uma das maiores aplicaes da resurgncia a observao do surgimento de comportamentos outrora aprendidos e extintos e que, em novas situaes, podem se unir para formar outros comportamentos com novas funes ou os mesmos comportamentos com topografias diferentes formando assim uma recombinao de comportamentos para soluo de problemas. Assim como o genoma traz a histria das espcies, o organismo como um todo traz para o seu novo ambiente sua histria ontogentica e essa histria se refletir na sua capacidade de adaptao. Diante das vrias condies as quais um comportamento prvio pode aumentar quando alguma coisa acontece relacionado com um ou mais comportamentos Cleland e col (2001) apontam para a prematuridade em se rotular alguma dessas condies exclusivamente como resurgncia uma vez que no h muitos dados empricos acerca deste fenmeno. Termos como induo, recuperao, recuperao espontnea e regresso, no acrescentam muitas explanaes e, assim, ao se usar o termo resurgncia deve-se estar ciente que nem todos os seus usos se referem ao mesmo fenmeno ou contexto. LITERATURA RECOMENDADA CLELAND, B.S., GUERIN, B., FOSTER, T.M. & TEMPLE, W. (2001) On terms: Resurgence. The Behavior Analyst, 24, 255-260 EPSTEIN, R. (1985). Extinction-induced resurgencec: preliminary investigations andpossible applications. The Psychological Record, 35, 143-153. LEITENBERG, H., RAWSON, R.A. & BATH, K. (1970). Reinforcement of competing behavior during extinction. Sciense, 169, 301-303. MECHNER, F., HYTEN, C. 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