ࡱ> >@=9 <bjbj"F8l + 0  $[ {  r rrr  r r,r  a 0+ 8: rCENTRO UNIVERSITRIO DE BRASLIA UNICEUB CURSO: PSICOLOGIA (NOTURNO) 10 SEMESTRE DISCIPLINA: TICA PROFISSIONAL PROFESSORA: MORGANA ALUNA: MEG GOMES MARTINS QUESTES TICAS SOBRE O PROFISSIONAL DE PSICOLOGIA Existe um grande mestre que uma certa vez falou uma frase significativa para mim pois conseguiu expressar bem o que podemos considerar sobre a profisso de psicologia: Ns somos lixeiros da humanidade. Pode at parecer uma frase pesada, mas se formos levar em considerao que a nossa profisso lida com pessoas e de uma certa maneira, at pelo que hoje o leigo considera sobre a profisso do psiclogo, ns lidamos com o sofrimento humano, com as amarguras humanas. O cdigo de tica profissional do psiclogo e os textos que nos remetem para as questes ticas da nossa profisso e formao, todos nos levam a pensar no social, no quanto somos importantes para a sociedade e devido a isso tambm nos fazem refletir o quanto importante mantermos zelo com relao Psicologia. A formao do psiclogo nos remete a trs questes importantes: a realidade social que vem demandando a atuao deste profissional, a diversidade terica e metodolgica da psicologia e a situao do ensino universitrio no Brasil. O princpio fundamental para o comeo de uma atuao profissional a reflexo de que somos psiclogos de um pas que j foi subdesenvolvido, mas que hoje procura fazer parte dos pases emergentes. O psiclogo deve se inserir no contexto brasileiro o qual diferente dos outros pases. O Brasil tem um quadro de violncia sob todas as formas, mortalidade infantil, desnutrio, baixo nvel de escolaridade, pssimas condies habitacionais, elevado grau de endividamento, aviltamento monetrio, desarticulao social, corrupo, amplo processo de prostituio de todos os tipos, inclusive infantil, falta de solidariedade nacional, vandalismo, falta de confiana no futuro. A quase totalidade da populao vive na misria, mas a pobreza no um fenmeno novo, apenas agora est fabricada, como conseqncia das decises de modernizao. A desigualdade social deriva das decises econmicas para viabilizar a modernizao criando assim abismos sociais maiores entre as classes. O ter est se sobressaindo em relao ao ser. importante esta anlise se compararmos aos pases desenvolvidos que j superaram alguns problemas sociais bsicos e podem atualmente se dedicar mais ao estudo da alma. Estamos atrasados! Como tratar do emocional de uma pessoa se suas necessidades bsicas no esto sendo sanadas? Pressupem-se com isso que a afetividade deva estar fluindo com dificuldade nas relaes hierarquizadas experimentadas pelos indivduos nos seus ambientes de trabalho, nas escolas nas famlias, nos hospitais, nos meios de transporte, nas ruas, etc. Porm, as instituies esperam comportamentos que mantenham um equilbrio e uma produtividade adequada reproduo das relaes sociais de produo. Temos de um lado as classes mais altas, cuja demanda por atendimento psicolgico maior, principalmente teraputico e isso reflete uma cultura em que a terapia seria uma sada vivel para a resoluo dos conflitos interiores causados por uma sociedade onde as poucas trocas afetivas entre as pessoas fazem com que estas se voltem para si mesmas e fiquem na sua solido (conseqncias da modernizao!); de outro lado temos as classes menos favorecidas, para as quais os problemas so conseqncias inevitveis das circunstncias externas e cuja soluo estaria longe de ser procurada em intervenes psicolgicas. Na realidade a frase leiga ouvida no dia-a-dia de que tratamento psicolgico s para rico tem um fundo de verdade no sentido que este tratamento dirigido principalmente burguesia nos consultrios particulares e s classes populares resta o atendimento psiquitrico, como corretivo para o que considerado um comportamento anormal. necessrio romper com essas amarras da demanda tradicional pois o espao de atuao do psiclogo se amplia a cada dia mais; novos empregos se abrem e o profissional necessita de uma viso de totalidade e capacidade de refazer e aprimorar a prtica. Entretanto, ocorre que alguns psiclogos, para fugir crtica e ao confronto de posies, se fecham em seu dogmatismo ortodoxo nos seus referenciais terico-prticos. A formao do psiclogo deve propiciar a produo do conhecimento no processo do aprender, transformando a realidade, sistematizando e trocando idias, atravs de materiais escritos pelos estudantes que gerem polmica, re-estudos, novas elaboraes. Os especialistas precisam desenvolver uma viso de totalidade e romper com os limites e suas reas, problema srio na psicologia. A diviso em reas aumenta a fragmentao do espao psicolgico, contribui para que os diferentes profissionais permaneam, surdos as demais tarefas que no se referem aos seus claustros. O ideal seria que o psiclogo no fosse definido por seu local de trabalho, mas sim por seu trabalho, por ser um profissional que oferece ajuda psicolgica em qualquer ambiente onde o homem atue. Por isso, uma pergunta de grande valia para esta profisso: Com tantas reas dentro da psicologia, possvel ser especialista em mais de uma delas? As opinies so muito divergentes, mas do lado do mercado de trabalho, o psiclogo tem que enfrentar uma verdade: o mercado quer que voc seja bom na sua rea, no importando voc como pessoa profissional em outras. Que bom se o psiclogo um timo professor, faz pesquisas, gerente de recursos humanos e ainda clinica nas horas vagas, mas para o seu chefe ( a escola, a instituio, etc) voc tem que ser bom no local que voc est. Diz-se que um profissional por causa de determinado trabalho, mas e a noo de totalidade? Pelo menos para a proposta contextualizada do que ser um PSICLOGO, no adianta fazer seu nome por causa de determinado local e sim pelo que voc realiza enquanto PSICLOGO. Diante disto cabe discutir como se chegar a esse novo profissional, como formar um profissional que conhece a atividade humana na sua totalidade, na sua historicidade, apreendendo a dimenso pessoal na dinmica das relaes sociais. O ensino universitrio brasileiro vive uma crise do saber. O modelo de ensino importado de outros pases nos remete novamente a reflexo de que afinal nem tudo que vem de fora bom para ns brasileiros. Os modos de pensar e fazer importados no combinam com as estruturas de poder e riqueza que temos, determinando aumento da misria da maioria dos brasileiros. O psiclogo que recebe seu diploma aps freqentar, no mnimo, cinco anos de aulas na Universidade, enfrenta disperso no campo do saber psicolgico; fragmentao no processo de trabalho social realizado nas instituies; alm de falta de recursos materiais; iluso de uma pseudo-autonomia do profissional liberal, almejada pela maioria no sonho do consultrio particular; competio acirrada entre os prprios psiclogos, na corrida por empregos e posies nas instituies que os demandam e que so escassas; demanda por uma funo adaptativa, corretiva re-educadora que lhe exigir clareza do seu papel como psiclogo. As pessoas querem e acham que o psiclogo tem que ser especialista em alguma rea. O psiclogo tem que adaptar demanda profissional e depois de se confrontar com pessoas com essa viso, que infelizmente ainda so a maioria, ele se v tendo que aceitar qualquer oferta de emprego e se adaptar ela afinal psiclogo tambm tem seus sonhos e responsabilidades as quais dependem de remuneraes. No d para ser to utpico e apenas cuidar da sade da sociedade, realizando o que realmente o papel do psiclogo, sem pensar que para isso preciso mudar muitos conceitos do verdadeiro papel do psiclogo para a mesma. Pesquisas do Conselho Federal de Psicologia mostram que alunos ao final do curso de Psicologia no tm mais a concepo inicial de que o profissional algum que faz o que gosta e sim gosta do que faz, ou seja a viso de mercado pode fazer o profissional comear a gostar do que no gostava antes ou fazer o que no gosta. Certas frustraes comeam j na faculdade com relao ao profissional de psicologia, pois os estudantes entram com uma viso e na prtica vem os psiclogos formados fazendo outra porque a medida que o curso vai decorrendo aumenta a eficincia da ao, diminuindo a nfase que inicialmente era dada aos seus aspectos morais. Os psiclogos de hoje trabalham de acordo com o que exigido dele e no de acordo com um ideal enquanto profissional que seria de se dedicar a ser esse bom psiclogo com vasta viso de totalidade humana. O mercado ainda requisita um profissional que remende os malfeitos da organizao social (a noo de sermos lixeiros da sociedade fica bem explicada aqui). Esta constatao nos aponta que h necessidade de voltar a formao dos psiclogos no para atender s demandas do mercado, mas para um compromisso tico com o ser humano. No devemos ser especialistas, tecnocratas, testlogos (psiclogos que s fazem diagnsticos atravs de testes e no fazem anlises crticas do processo de pensar e raciocinar), dogmticos em uma ou outra corrente do pensamento constitudo, presos s reas especficas de atuao e sim devemos ser conhecedores crticos das teorias psicolgicas, produtores de conhecimento, comprometidos com a mudana ou com a legitimao das relaes sociais, agente de mudanas, comprometidos com o avano da cincia psicolgica, capazes de lidar com questes de sade mental dentro de uma viso de totalidade da atividade humana. Para a transformao nessa profisso h necessidade de se revisar os currculos dos cursos de psicologia, no no sentido de listar mais contedos a serem ministrados, mas quais as finalidades desses contedos, se esto sendo ministrados de forma a promover o verdadeiro aprendizado, qual a finalidade de cada um deles e assim elaborar um trabalho contnuo de planejamento conjunto das atividades pedaggicas. Uma nova reformulao desse novo currculo deve procurar sanar o problema da anlise da subjetividade e totalidade do indivduo; d um gostinho de tudo ao aluno, mas de forma que haja qualidade no ensino e tambm que seja passado de uma forma organizada a fim de orientar o pensamento. As faculdades devem fornecer as noes bsicas de vrias reas e no se atrelar apenas as principais que a escolar, organizacional e clnica, bem como procurar no enfatizar nem uma nem outra. Existem faculdades no pas que, devido ao contedo do seu currculo de psicologia, formam claramente um psiclogo clnico ou organizacional, etc. O aluno no tem um bom ensino na faculdade e depois de se formar ao invs de procurar fazer uma ps-graduao para se aperfeioar em alguma rea, ter que procurar cursos a fim de aprender noes bsicas daquilo que no teve oportunidade de ver na faculdade. O ensino est virando algo comercializado e perdendo o sentido de prestao de servios. O futuro profissional chega ao curso de Psicologia concebendo um profissional possuidor de certos atributos que parecem no contribuir para que sua atuao profissional futura atenda s amplas necessidades da sociedade. Antes de passar informaes e instalar habilidades parece necessrio combater os equvocos e esperanas infundadas nos estudantes de Psicologia, inclusive esclarecer que essas habilidades a serem desenvolvidas no so fechadas em si, pois se fossem, o aluno faria escolhas de reas no comeo do curso sem nenhum conhecimento prvio da totalidade de reas que a psicologia abrange. O ensino especializado, diferenciado deve ser feito na ps-graduao stricto ou latu sensu . Cabe ao aluno, aps vislumbrar-se ou no com alguma rea, procurar aprimorar-se, aperfeioar suas habilidades bsicas na rea que mais se identificou. Notem que estou falando de aprimorando e aperfeioamento e no de especializao. Parece no haver diferena, mas aps refletir sobre textos lidos percebi uma sutil diferena. Parece que a especializao focaliza a pessoa a uma determinada rea esquecendo-se das demais. No entanto, no aprimoramento ela continua tendo uma totalidade de conhecimentos, porm devido as suas caractersticas e curiosidades pessoais procura estudar um pouquinho a mais de determinada rea. Especializao no parece atualizao e atualizao o que os profissionais devem procurar dentro da psicologia. Se atualizar ( se aprimorar ( progredir. Quero ser uma psicloga e quero que um dia essa frase possa significar muita coisa sem os complementos: especialista em... Quero que um dia as pessoas entendam, e os prprios psiclogos que devem comear a mudar essa mentalidade nos leigos e neles mesmos, que possvel ser um psiclogo com uma viso de totalidade das diversas reas da Psicologia, porm com aperfeioamentos, pois enquanto busco aprimoramento estou crescendo como profissional e como pessoa e saindo um pouco da mediocridade das especializaes, no sendo reconhecida por um nico trabalho, mas sim por trabalhos envolvendo diferentes campos sociais. E enquanto a sermos lixeiros da humanidade, devemos ir alm. Alm de tratarmos devemos cuidar. Como? Sendo tambm educadores da sociedade, orientadores, apoio, amigos e comprometidos com o rumo das pessoas. Muitos se preocupam com mquinas, com o cumprimento de leis, a evoluo da tecnologia, a origem da Terra, etc e no que tenham menos importncia, mas quem vai se preocupar com as pessoas ? DESABAFO: Hoje em dia assim: Psicloga clnica tem que ter curso de formao (apesar de que j fao um, para me aperfeioar naquilo que gosto afinal tenho um compromisso tico com o ser humano de s cuidar se souber; uma vida no uma brincadeira! ). Tenho receio em no conseguir um emprego de psicloga organizacional porque no tenho MBA em gesto de RH, em ser uma psicloga hospitalar porque no tenho nada no meu currculo da rea de sade muito menos estgio, em ser psicloga educacional porque no fiz especializao em psicopedagogia. Ao final do curso acho que meu diploma no vale de nada sozinho sem experincia e sem provar que sou psicloga, no sentido contextualizado da profisso. Por isso espero que um dia as instituies saibam formar psiclogos, o mercado saiba contratar psiclogos, que os leigos saibam para que serve um psiclogo na sociedade e que os psiclogos saibam o que ser um psiclogo. 11114444< jCJOJQJ6CJOJQJ CJOJQJ5CJ5CJ +UvV{]H- "0%)$dha$<)r,%/14]788889;<< $dh`a$$dha$ &P . 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